Febrace

10/03/2010 - 11:34:20

Jovens cientistas estăo preocupados com o meio ambiente

Por Desirče Luíse, Aprendiz

Quase um terço dos projetos apresentados na 8ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) está relacionado com o meio ambiente. Cerca de 85 das 280 iniciativas são ideias focadas na preservação da natureza e diminuição dos impactos causados pela ação do homem. Com projetos desenvolvidos por alunos do ensino fundamental, médio e técnico, de todas as regiões do país, a feira começou ontem (9/3) em São Paulo (SP).

Em um dos projetos, foi desenvolvido o aprimoramento do carvão ecológico, batizado de carvão alternativo. Um dos criadores da técnica para o novo minério, Carlos Guilherme Lopes, da escola particular Complexo Educacional Dom Bosco, disse que a ideia surgiu ao observar a comunidade de sua região, na cidade de Imperatriz (MA). “Tem um grande polo siderúrgico perto de nós, que usa o carvão vegetal, emitindo muita poluição. Isso faz com que uma grande quantidade de famílias ao redor seja prejudicada”, explica.

Já existente no mercado como opção ao carvão vegetal, grande poluidor do meio ambiente e causador da destruição de florestas, o carvão ecológico, que emite menor quantidade de poluentes, mas tem a desvantagem de ter uma combustão inicial demorada. Guilherme e mais dois colegas resolveram, então, criar um novo produto, feito à base de argila, fécula de mandioca e resíduos de carvão vegetal. Com maior durabilidade na queima, o carvão alternativo não emite fumaça e ao final da combustão libera uma substância que pode ser usada como adubo fertilizante.

Outro grande responsável pela emissão de CO2 na atmosfera são os automóveis. Pensando nisso, dois estudantes da Escola Técnica Rezende Rammel, Rio de Janeiro (RJ), do ensino particular, desenvolveram o carro H2O, um protótipo movido a hidrogênio e a gás natural veicular (GNV). O combustível é gerado a partir da água doce ou do mar. Com um litro de água é possível abastecer o carro por uma semana, com a vantagem de o veículo emitir 94% menos poluição que um modelo convencional movido a gasolina ou a álcool.

Um dos estudantes criadores da invenção, Leon Cesar Simões, revelou que um carro como esse não custaria caro no mercado. “Não adianta produzir algo que a população não vai ter acesso. Usamos como base o motor de moto, que polui até quatro vezes mais que o de carro, e conseguimos usar matéria-prima do ferro velho”, conta ele.

Já Isabela Maria da Silva, aluna da Fundação Bradesco Jardim Conceição, em Osasco (SP), se preocupou com o lixo orgânico e apostou na compostagem – processo de transformação de substâncias orgânicas, como restos de alimentos, em adubo – como ferramenta de ensino de meio ambiente para estudantes de Educação de Jovens e Adultos de sua escola. “Daqui alguns anos a capacidade dos aterros vai se esgotar e para onde vai o lixo orgânico? Melhor reduzir desde já para que no futuro isso não vire um problema maior”. Segundo ela, é preciso um resultado imediato por meio da conscientização dos adultos, que podem alterar a rotina de suas casas.

Para fazer a compostagem é necessário fazer furos em um balde de 100 litros, e colocar uma rede protetora dentro para não entrar insetos. Após depositar o lixo, é preciso manter o conteúdo tampado. “Não custa nada, é super fácil”, conclui a estudante.