Fabio Affonso

09/12/2009 - 15:40:59

Mulheres rendeiras: orgulho do País

Por Redação TN

O Estado de Alagoas foi contemplado ao longo de sua história — além do vasto litoral de águas quentes e cristalinas e do calor do seu povo —, com um tipo de arte ainda obscura para o resto do Brasil e desconhecida do resto do mundo: a renda filé. Trata-se de um artesanato tradicional do lugar que não fica a dever em nada para outros tipos de artesanato existentes ao redor do mundo.

A Renda Filé é feita pelas mulheres de Alagoas de modo artesanal, através de um trabalho trançado com linhas coloridas aonde a arte transparece em variados tipos de produtos como bolsas, blusas, saias e toda uma gama de peças que encantam os turistas. Estes levam para suas casas a verdadeira tradução do modo de vida nordestino, seu tropicalismo, seu calor, suas cores e sua tradição, além da lembrança dos gostos e cheiros que só existem em Alagoas.

O que os turistas nem desconfiam é que estão comprando um trabalho que é passado de mãe para filha há mais de cem anos, contribuindo com a sua subsistência e com a continuidade destas comunidades.
As mulheres rendeiras, humildes na grande maioria, têm na sua arte a principal fonte de renda. Uma arte absolutamente tropical, colorida, ecológica e que vem ao encontro de um mundo que precisa se tornar sustentável. É um trabalho feito por pessoas que acreditam que é possível produzir sem degradar o meio ambiente e que querem que o país assuma sua responsabilidade social de preservar estar arte e contribuir para que comunidades como essa não desapareçam.

Em um mundo onde as pessoas passam por cima da natureza para fazer fortuna, a exploração dessas mulheres vem na forma de empresários, ou pseudo-empreendedores que enxergam nessa mão de obra dita barata, uma forma de adquirir produtos que gerarão lucros na revenda. É vergonhosa a maneira com que barganham pelas peças já muito baratas, depreciando o trabalho árduo de quem produz e indo de encontro ao chamado comércio justo.

Depois que vão embora, esses compradores deixam um rastro de desesperança e desilusão para as artistas. Seria exagero comparar com os asiáticos produtores de calçados para as grandes indústrias americanas?

É preciso que as empresas conheçam essa arte (e outras pouco valorizadas pelos próprios brasileiros, mas apreciadíssimas pelos povos de outros países) e que invistam. Invistam na capacidade de sua produção, invistam na divulgação de suas peças e que, principalmente, desenvolvam um trabalho de desenvolvimento e renda sustentável para elas.

Não precisa ser uma grande empresa. Pessoas bem intencionadas podem fazer muito pela continuidade da arte, investindo em uma produção sem impacto nenhum na natureza e exaltando a capacidade produtiva da gente do Nordeste.

Nada é mais prazeroso do que fazer arte. Nada é mais perverso do que explorar a arte dos outros. Vamos fazer a nossa parte? Vamos ser baluartes? Baluartes de um novo mundo, de uma nova mentalidade, de um novo encarte.

*Fabio Affonso é economista.